Junglez Notícias >>>
(Jun 20, 2011)
Viver em harmonia com a natureza é ter compromisso e responsabilidade tanto com as gerações atuais e com todos os seres vivos, sobretudo aqueles mais desprotegidos e excluídos, como também com as futuras gerações! Saiba mais...
(Jun 20, 2011)
A Estaçao Ecologica da Jureia Itatins é considerada Patrimonio da Humanidade pela Unesco desde 1999. Saiba mais...
(Jun 10, 2011)
Passáros da Juréia Confira aqui a lista dos passáros encontrados na região. Saiba mais...
   |   

Lenda Peruíbe e Juréia

A revolta dos tupiniquim

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lenda de Peruíbe e Juréia

Diz a lenda que na tribo dos Tupiniquins, havia um cacique de bravura e coragem inigualável. Seu nome era Peroibe. Sua valentia era conhecida e a terra de Peroibe respeitada por todas as tribos ao redor. Um dia, quando Peroibe caçava com seus guerreiros, ao perseguirem um suacu (veado), chegaram numa fonte de águas cristalinas.

Como estavam cansados da perseguição, beberam da água, quando de repente o cansaço sumiu e o vigor se estabeleceu novamente nos corpos dos guerreiros.

- Icaraí! Icaraí! (água santa) – gritaram todos e, ao retornarem à aldeia, contaram para a tribo a descoberta milagrosa. Foram as mulheres que mais se serviram das águas da fonte que as mantinham jovens e belas, tornando-as desejadas por todos os guerreiros de todas as tribos. Elas já eram famosas pela pele macia e sedosa, conseqüência do uso da Tabauna (lama negra) que espalhavam no corpo.

Mas a descoberta da Icaraí fez com que as moças de outras tribos sonhassem com o uso da lama e da água milagrosa. Juréia, filha única do cacique Pogoça, da tribo dos Carijós na Retama (região) de Igua, soube da descoberta, e ao pegar o caminho da Ibicuí (praia de areia fina), chegou na retama dos Tupiniquins, alcançou a fonte e mergulhou nas águas cristalinas. O cansaço sumiu e o lindo corpo de Juréia vibrou ao sentir uma corrente deliciosa nunca sentida até então, que fluiu em todas as suas células.

Com seus lábios semi abertos, suas pálpebras semi cerradas e suas pupilas dilatadas, experimentou um desejo novo, misterioso e confuso, que ao mesmo tempo que queria correr e agir, queria também soltar-se, abandonar-se e estremecer-se no toque das águas cristalinas, que como mãos atrevidas e invisíveis, acariciavam seu corpo.

Peroibe, que estava descansando na Pindi (clareira) a poucos metros da fonte, ouviu o barulho das águas e, abandonando seus sonhos e divagações, virou-se lentamente para a fonte. Viu este rosto de pálpebras semi serradas e lábios semi abertos, viu o corpo vibrante emergir das águas e, como que enfeitiçado, ficou extasiado, imóvel, atônico. Tentou gritar, em vão. Somente pôde escapar da sua boca um sussurro de uma só palavra: Deusa! Deusa!

Juréia sentiu algo quente que a tocava vindo da mata. Olhou e viu a figura imóvel e extasiada de Peroibe. Um Deus! pensou imediatamente e, rápida como um Ati (ave), saiu da água e desapareceu pela ape (trilha) nas matas. Correu morro abaixo, atravessou tabauna até na ibicuí e pegou o caminho para a retana dos Carijós. Peroibe imóvel, se confundia ainda, se a imagem que viu era real ou fantasia, mas seu coração batia rápido e impaciente.

Ligeiro ficou em pé. Seu instinto de caçador veio a tona, meteu-se na mata adentro em busca de Juréia. Pogoça sentiu a falta da filha que há dias não dava sinal de vida. Quando ela apareceu quis saber onde teria ido. Sabendo da verdade, muito se enfureceu e, com a ajuda dos pajés, enclausurou Juréia na caverna da Itabirapuã (pedra em pé redonda), no topo do Ibitira (morro), para poder ser vigiada por todos os lados da reatam da tribo. A porta de pedra fechou-se para sempre, por medo que o deus que a filha tinha visto, tentasse roubá-la de novo. Peroibe, em vão vasculhou as matas inteiras, cansado e esgotado entrou em tristeza profunda, negava-se a comer e a beber da água da fonte que os pajés lhe traziam.

Nos seus sonhos perturbados sussurrava: Deusa! Deusa! Juntaram-se os pajés em conselho unido, resolveram evocar Guaraci (sol) pedindo ajuda. Guaraci atendendo o pedido, transformou Peroibe em uma rocha, para que Ara (tempo) não o transformasse, até que sua amada voltasse novamente.

“Somente o calor dela poderá despertá-lo novamente”

Juréia enclausurada, chorava e evocava japoracira (lua), sua protetora, que a ajudasse reencontrar seu amado deus. Japoracira, muito se entristeceu e cheia de compaixão, transformou-a em bola de fogo. Certas noites sai de sua prisão, percorrendo os sambaquis em busca do seu amado. No dia em que encontrá-lo petrificado, o despertará do sono eterno com seu calor, como também a porta do Pogoçá abrirá, libertando sua amada, para os dois se unirem. Aí então renascerá, a raça perdida dos bravos Tupiniquins.

Leave a Reply